Estilista veterano da moda mineira arma encontro anual para trocar ideias e confraternizar

Por Deborah Morais | Fotos: Divulgação

A moda tem seu tempo particular. O calendário fashion é exigente e, em um ano, são feitas e vendidas no mínimo quatro coleções. Nesse clima, os estilistas mineiros precisam de doses extras de criatividade e jogo de cintura para lidar com os desafios de um mercado que está sempre mudando. E, muitas vezes, faltam momentos para os profissionais dividirem experiências e, também, se divertirem.

Foi pensando nisso que há quatro anos o estilista Antônio Diniz, responsável pelas marcas Skunk, Padronagem e Desirée, começou, despretensiosamente, a fazer um encontro entre os estilistas do mercado mineiro. Toninho, como é conhecido entre os colegas, começou chamando os amigos mais próximos para comemorar mais um ano de trabalho, que chamaram outros, e assim surgiu o evento que hoje já é tradição no meio. “Todos se conhecem no mercado, mas falta tempo para sentar e conversar. O importante é o encontro para trocar ideias”, conta Toninho. A ocasião reúne profissionais de uma mesma geração, que tem, em média, 20 anos de estrada na moda.

Os desafios do ano de 2017 para o setor, é claro, não vão ficar de fora das rodas de conversa. Estilista há 25 anos, Guilherme Marconi esteve presente desde o primeiro encontro, e vê uma reação do mercado no segundo semestre. Ele é estilista das grifes DBZ e Romaria, além de desenvolver os produtos da FIAT Fashion. “O início do ano foi realmente bem complicado, mas no segundo semestre as coleções tiveram boas vendas. Os lojistas estão com uma necessidade maior de comprar o produto, já que, com a crise, eles passaram a comprar menos e as lojas ficaram com pouco estoque”, disse Guilherme.

Para Thalita Rodrigues, estilista da Alphorria e com passagens por marcas mineiras importantes como CAOS e Brasil em Gotas, o mercado em 2017 não esteve desaquecido. “A minha geração e a do Toninho é precursora da figura do profissional de moda em Belo Horizonte, todos temos passagens por grandes marcas”, ressalta. A designer está há dez anos no mercado, e afirma que, mais do que nunca, a maturidade profissional é essencial para manter o bom desempenho das marcas. “As empresas capitalizadas estão bem, mas não podem correr riscos. Por isso, desenvolver um produto assertivo é importante, já que trabalhamos com a verba das marcas”, diz Thalita.

Em tempos incertos, a união pelo sucesso do segmento também faz muita diferença. E assim pensa a jornalista Heloisa Aline, que representa a imprensa na confraternização com alguns outros nomes do jornalismo de moda mineiro. “Acabei virando mais que jornalista, me tornei amiga das pessoas do meio”, conta Heloisa. Veterana, é jornalista de moda há 30 anos e acompanhou o início da trajetória de grande parte dos estilistas do grupo, como a do próprio Toninho. “Procuro ir além de um trabalho profissional, incentivando sempre nos projetos para gerar cumplicidade. O bem estar do meio é um todo, em que todos podem ganhar em sucesso e realização”, finaliza Heloisa.

A jornalista Heloisa Aline (ao centro) com as estilistas Cristina Soares, Liana Fernandes, Andrea Aquino e Carol Demoli.

A ajuda e o apoio mútuo no dia a dia da profissão são um dos muitos frutos dessa confraternização. “A partir do encontro, fizemos um grupo de WhatsApp, em que trocamos ajuda e contatos de fornecedores”, diz Toninho. Para ele, 2017 foi difícil para as marcas, com redução de custos, mas há uma perspectiva mais animadora para o próximo ano. O encontro acontece hoje, na Pizza no Galpão, no Prado, que já virou ponto de encontro da turma fashion. Que o fim de mais um ano na moda mineira seja um recomeço próspero em 2018.

À direita, Thalita Rodrigues, Alexandra Nunes, Guilherme Marconi, Cláudia Pimenta e Fábio Resende. À esquerda, Cássio Vidal, Heloisa Aline, Toninho Diniz, Amarildo Ferreira, Andrea Aquino e Cristina Sarmento.

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