Bárbara Monteiro, da Molett, fez seu segundo desfile no Minas Trend.

Você é formada em nutrição e passou pela gastronomia. Que conhecimentos destas duas áreas você consegue levar para a moda?
O primeiro erro de proporção da vida cometi ao apresentar um cardápio. O que o chef me disse foi: “Amiga, a gente precisa conversar sobre proporção áurea”. E ali eu fui começando a entender de proporção, de estética, de apresentação. A gente tinha as tendências em relação aos pratos: uma gastronomia arquitetônica, minimal, e eu via a moda ao redor chegando a esse lugar. O meu gosto também ia para isso. Tem tudo a ver! A moda veio, a princípio, em forma de pessoas que foram me ensinando sobre senso estético, até chegar na Molett que nasceu em 2015.

Como você avalia as suas participações no evento, já que essa é a segunda vez que você desfila?
Acho que o que mudou foi a experiência. Você consegue entender em que time as coisas têm que acontecer e você se situa melhor no que está fazendo. Acho que isso dá uma tranquilidade maior, porque é só seguir a sua verdade. O que pensei quando cheguei nessa segunda edição é que tinha que continuar numa linha apresentando o que eu acreditava e acrescentando evolução. Só queria olhar para frente. Então tentei melhorar tudo, desde o visual do estande até a identidade gráfica. Uma profissionalização mesmo. A partir de uma experiência, você já sabe o que trabalhar e pontuar o que não foi tão bom.

Com o desfile, você tem um aumento nas vendas no salão de negócios?
Sim, desfilar vende mais! Mas também é preciso estar preparado para esse aumento. E, inclusive, para efetuar a venda. Sentar e vender não é só isso. Há aumento em números. Cumprir os prazos, ter como produzir. A fantasia não é só vender.

Defina as compradoras da Molett.
Acho que a mulher Molett, para começar, é um ser que não é só mulher. Ela é tudo. Ela é pós-identidade de gênero. Ela é empática com todos os universos, com identidade de gênero, idades, estéticas. Por isso ela exige uma roupa fácil, que tenha um gingado. Que te permita ser uma mulher múltipla e híbrida.

Você sempre trabalha com temas atuais e modernos. Acha que o comprador entende? Explique o tema da coleção do verão 2019.
Sim! Exatamente, esse é o ponto. Acho que eu ainda devo falar algo forte. Que inclusive seleciona o meu cliente. Porque se eu não tiver algo para dizer, não faço moda. Amo moda que diz algo. Sei que eu posso tranformar isso em uma linguagem mais simples, mas esse exercício acaba vindo com a evolução da marca. Ainda posso falar do que acredito. Os temas de fato são fortes, muito atuais, e existe uma convulsão de assuntos relacionados pelo mesmo tema que se apresentam na coleção até pelo padrão convulsivo das listras que se encontram e convergem. Mas também é uma coleção bonita, acredito na força da beleza, então também consigo comunicar com vários tipos de cliente. Porque faço uma moda que comunica com as pessoas.

Dentre as peças apresentadas, já consegue notar alguma que será o hit de vendas?
Às vezes estou tentando conectar todas as ideias, então faço um desenho, mas quando joga a cor – e a cor é muito importante, apesar do forte da Molett ser o cinza –, elas vêm de forma inteligente e isso é essencial. E ali o coração já bate e você sabe que dali vai sair algo bom. Que as pessoas vão gostar.

Moletom no verão vende?
Vende! A minha primeira coleção apresentada quando participei do Ready to Go era de verão, então ali, sim, foi um desafio. Tive que entender também que ia apresentar o moletom como uma unanimidade pela primeira vez, mas que ele tinha que ser traduzido de outras formas. Então percebi que o moletom é a metáfora da marca, que relaciona ela à sensação de conforto. Uso muito cinza mescla, num shape, num capuz, então de alguma forma ela vem metaforizada. Claro que, no inverno, abuso dele, mas mesmo no verão tem também. Consigo gramaturas muito fininhas com transparências até as mais grossas. Amo descobrir esses tecidos. Amo descobrir o moletom.

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