Fábio Costa, da NotEqual, mostrou suas apostas de verão em sua estreia no evento. 

Que história é essa de participar do Runway Project? Como foi?
Participei de três temporadas, em 2012, 2014 e na última que foi gravada em 2016, mas acabou de ser exibida há três semanas. Digo que são praticamente três graduações intensas de nove semanas. Não tem folga, você trabalha todos os dias, eliminação, desafio, eliminação, desafio. Dorme de três a quatro horas por noite, dorme com o microfone. Você acorda com alguém chutando a sua cama e a câmera na sua cara. É muito maçante, sem telefone, sem jornal, você não pode cantar, não tem relógio. Eles tiram todo o seu conforto para ficar só a ideia bruta. E acho que é isso que eles querem, porque no fundo é um programa de entretenimento, porém sem o controle sobre o nosso poder criativo.

Você estava morando em Nova Iorque? Por que voltou para o Brasil? 
Para ficar perto da minha avó. Porque toda a questão da costura veio dela. A máquina de costura dela ficava no meu quarto. Eu dormia com a máquina ligada, tentava ficar debaixo da cama enquanto as clientes iam lá para fazer a prova de roupa. Ela cortava a roupa plana e a mulher saía de casa vestida, e eu não entendia. Acho que foi essa curiosidade que me fez virar estilista. E por ter passado tanto tempo fora, ela foi ficando mais velha, então queria que ela visse um desfile meu. Mas nunca quis deixar de atuar no mercado brasileiro, vim para aproveitar essa cadeia de produção. Acho que estamos com a faca e o queijo na mão. Nossa indústria é completa. Desde a tecelagem, mão de obra e manufatura até o artesanato. Então quero aproveitar disso e fazer um produto que seja global e não local.

O que tem achado do mercado de moda nacional?
Acho o mercado difícil, a gente não tem autonomia do consumo de design. Consumimos o que vem da redação, que já passou por várias outras interpretações. E também a gente consome muito o que vem de fora. A minha ideia é realmente voltar esse olhar pra dentro. Aquela coisa meio Oiticica, semana de Arte Moderna de 1922.

O que você acha da moda nacional?
Acho que a gente é muito rico em cultura. Vamos pensar assim: uma Paula Raia, que é uma pessoa que está pegando a nossa cultura e fazendo uma moda autoral, isso é muito importante. Mas acho que a gente não pode creditar e nem descreditar as outras marcas que estão fazendo o sistema de venda fluir. Porque sem um o outro não existe. O Brasil tem muito que se emancipar e a gente tem muito talento para isso.

Como é o seu processo de criação e confecção de roupas? 
Eu sento e choro (risos). Montei um ateliê em casa e tenho um quarto onde é feita a costura, um onde é feito o corte e tem a cadeira nesse quarto que é onde eu literalmente sento e choro olhando para o tecido ou para o que a costureira deixou pronto. Às vezes ela deixa a roupa pronta e eu picoto durante a noite. É um processo muito emotivo. Minhas roupas vêm recheadas de conceito. Para mim, uma roupa sem conceito e sem pesquisa vira só roupa. E acho que quando você começa a agregar isso na peça, ela gera identificação e a assimilação é instantânea.

Como está sendo essa experiência de participar do Minas Trend pela primeira vez?
Nunca tinha feito uma feira de negócios. A venda em si não foi o foco, o foco foi a troca de informações para ver o que está certo e o que está errado. Estou há tanto tempo fora que não posso simplesmente me inserir e ditar alguma coisa sem flexibilidade.

Pin It on Pinterest