Por Ana Paula Mattos | Edição: Bruna Bauer | Fotos de desfile e street style: Agência Fotosite

O jeans está entre os materiais mais versáteis que há quando o assunto é confecção de roupas. Aqui, um breve histórico sobre ele e tendências quentes que não só prometem, como inspiram.

Ele surgiu como tecido de uniformes de homens do campo e marinheiros lá nos anos 1792, na França, sob o título de “tecido de Nimes” – nome que acabou por ser abreviado para Denim. Mas o jeans só ganhou maior projeção quando, em 1873, chegou à Califórnia nas calças do lote 501 feitas pelo alemão Levi Strauss para os operários das minas e cowboys – modelo que conhecemos, hoje, como Levi’s 501 e que integra o closet de homens e mulheres de todas as idades.

Nos anos 1930, com a chegada dos filmes de faroeste norte-americanos, o material ganhou visibilidade extra porque, claro, não ficou de fora dos figurinos. Além disso, durante a Segunda Guerra Mundial, o denim também foi usado na confecção de uniformes de soldados americanos. 

Não demorou muito para que o jeans migrasse para o guarda-roupa masculino. Não que tenha sido por um fator fashion em si – é que, durante a guerra, muitas mulheres assumiram postos de trabalho nas fábricas e passaram a usar os uniformes índigo. Isso acabou tornando-o unissex.

Mas, foi nos anos 1950, que ele de fato começou a provocar desejo nas pessoas porque entrou em cena nos figurinos de Marylin Monroe, James Dean, Elvis Presley e Marlon Brando no cinema. Modelagens retas e o shape cigarrete logo migraram das telonas para as ruas.

Nos anos 1960, o jeans ganhou versões flare e status de hit. Brigitte Bardot foi uma das grandes adeptas. Audrey Hepburn, Anne Helm e Cher também usaram bastante.

Na década seguinte, além de o modelo flare ter ganhado uma versão mais “exagerada” – a boca de sino que os hippies amavam usar – nasceu a modelagem skinny e o uso do jeans com aparência “destruída” – especialmente entre os punks. Outro movimento que influenciou bastante o uso da calça jeans como peça unissex, nos anos 1970, foi o feminista.

Detalhes rasgados saídos direto das fábricas entraram em cena, como pode-se ver nesta campanha de 1976 da italiana Fiorucci. A grife veio para o Brasil através de Gloria Kalil e virou mania nacional na década de 1980 – época em que novas técnicas de lavagem e texturas começaram a surgir e que calças baggy e justíssimas de cintura alta reinaram lado a lado.

O sucesso do jeans era tanto que, no início dos anos 1970, foi parar até nos biquínis da Blue Man – comandada por David Azulay, ela foi a primeira marca a criar moda praia a partir do tecido. Na época, não havia a gama de lavagens que encontramos disponíveis atualmente e, por isso, as calcinhas não passavam dos joelhos das mulheres. Para solucionar a questão, elas foram cortadas nas laterais e ganharam amarrações com lacinhos. Rose di Primo, musa da grife carioca, foi uma das primeiras a usar.

A turma do hip hop aderiu com força total ao jeans – destaque para as jaquetas que também faziam sucesso entre outros hit makers como Cazuza (que quase nunca se separava da sua).

E para o icônico comercial de TV da Levi’s 501 que vale um replay!

Entre as grifes nacionais, Ellus e Zoomp se firmaram e impulsionaram ainda mais o desejo dos jovens pelo jeans por aqui.

Nas campanhas da época, Brooke Shields, aos 15 anos, como estrela da Calvin Klein.

O comercial causou polêmica porque ela dizia: “Quer saber o que há entre mim e meu Clavin? Nada”.

Mais tarde, em 1991, Cindy Crawford (musa master da época) provocou frisson mundo afora ao surgir à bordo de short jeans + regata branca em uma campanha da Pepsi no Super Bowl.

Kate Moss também entrou no roll de modelos das campanhas da Calvin Klein Jeans, ainda superjovem, em 1992. Repare na calça com a cintura mais alta e shape distante do corpo – os jeans favoritos daquele momento eram os semi baggys, ou jeans mom, como chamamos hoje.

Fazendo referência à foto do primeiro beijo durante a Segunda Guerra Mundial para a revista Life, no início dos anos 1990, foi a da Diesel, com dois marinheiros se beijando em click de David Lachapelle.

Outra campanha que marcou a década foi a da Versace com Nadja Auermann e Claudia Schiffer em foto de Richard Avedon, em 1995.

Apesar de uma profusão de calças “comportadas”, a década de 1990 foi marcada por uma vibe sexy e contemplou muitos modelos de cintura baixa. Já nos anos 2000, o skinny se tornou o queridinho das fashionistas, mas flares e boot cuts também tiveram vez.

Gisele Bündchen para a Ralph Lauren Jeans, em click de de Herb Hitts, em 2001.

No desfile de verão 2001 da Céline.
Foto: Agência Fotosite

Na passarela de verão 2001 da Chloé.
Foto: Agência Fotosite

Kate Moss para a Calvin Klein Jeans, no início dos anos 2000.

E mais Gisele Bündchen, aqui, em 2005, para a Colcci, no Fashion Rio.

Em 2009, a Ellus convidou a modelo internacional Agyness Deyn para estrelar sua campanha que, aliás, foi vencedora do Prêmio Moda Brasil.

De 2009 para cá, modelos mais oversized como o boyfriend (que virou febre depois que Katie Holmes foi fotografada vestindo uma calça de Tom Cruise num dia qualquer) – mas sem abalar as estruturas de outros shapes.

Em 2011, Izabel Goulart, Aline Weber e Jon Kortajarena integraram o casting do inverno da DKNY Jeans em fotos de Inez e Vinoodh.

No mesmo ano, a Prada apresentou uma campanha de verão totalmente jeans – com direito até à bolsa em denim. A foto leva a assinatura de Steven Meisel.

Stella McCartney também entrou no clima e, para seu verão 2011, clicado por Mert Alas e Marcus Piggott, looks 100% jeans foram os eleitos.

A Diesel, para o inverno 2012, escalou Coco Rocha para posar para as lentes de Steven Meisel.

De volta à übermodel Gisele Bündchen… Um click direto do inverno 2014 da Colcci.

Desde 2015, desfiles de grandes e importantes grifes internacionais vêm apontando uma série de novos caminhos para o material mais querido nos closets de muita gente.

A Gucci foi uma das primeiras a apresentar propostas nada óbvias em seu desfile de verão 2015.

Na mesma temporada, a Fendi, que assim como a Gucci desfila na Semana de Moda de Milão, levou looks total jeans para o catwalk.

DSquared2, Kenzo, Stella McCartney, Lacoste, Roberto Cavalli e Burberry estão entre as grifes que passaram a olhar para o denim com mais atenção a partir de então.

DSquared2

Roberto Cavalli

Kenzo

Stella McCartney

No verão 2016, foi a vez de a Chanel apostar no denim em seu desfile na Semana de Moda de Paris.

Aqui, uma breve edição dos looks de street style clicados em setembro e outubro de 2016, durante a Semana de Moda de Paris verão 2017.

EM PARIS

Saias mídi com fendas destroyed.
Fotos: Agência Fotosite

Calças mais curtas e distantes do corpo.
Fotos: Agência Fotosite

Jaquetas oversized (ou quase isso!).
Fotos: Agência Fotosite

Nos desfiles de verão 2017 na Semana de Moda de Nova York, o jeans surgiu incrivelmente sofisticado na passarela de Carolina Herrera.

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