A barreira dos preços mais acessíveis ainda é um dos grandes desafios de marcas eco-friendly

Por Ana Angélica Mattos | Fotos: Divulgação

Que atire a primeira pedra quem nunca desdenhou de uma peça de roupa mais cara por achar que o valor estava meramente atrelado à etiqueta. Se você também é “culpado” por reproduzir esse pensamento, esse artigo pode te ajudar a pensar diferente.

Não sejamos injustos: sabemos muito bem que o valor de marca também pode ser responsável por elevar o preço de uma peça, principalmente quando nos referimos ao mercado da moda de luxo. Mas, o que precisamos analisar aqui, são os muitos fatores que influenciam o valor final de um produto e que nem sempre são lembrados pelo consumidor final.

Se você já consumiu ou ao menos se propôs conhecer uma marca de moda sustentável, provavelmente se deparou com preços que não são considerados tão acessíveis. Talvez, por isso, marcas eco-friendly devam canalizar alguns esforços com o objetivo de desconstruir a ideia de preço que existe na mente do consumidor de moda e que, em sua grande maioria, utiliza padrões determinados por grandes redes fast-fashion como base de comparação. Como convencer alguém a comprar uma blusa de R$ 200,00 que é vendida a R$ 40,00 por outra marca?

Foto: Reuters/Andrea Comas

Nesses casos, transparência é a palavra de ordem. A indústria sustentável da moda deve estar em constante comunicação com seu público, mostrando que os preços praticados são compatíveis com uma produção em volume reduzido, utilizando materiais mais responsáveis, processos manuais e éticos, promovendo mais responsabilidade social e ambiental. Dessa maneira, é possível convencer o público de que ele não está pagando um valor caro, mas sim, justo.

Como apontei no texto da última semana, marcas slow fashion possuem uma produção desacelerada e muito menor. Isso faz com que as empresas comprem menos e, consequentemente, paguem mais pela matéria-prima que negociam com seus fornecedores. Ainda no que tange o quesito “matéria-prima”, há de se levar em consideração o uso de materiais de qualidade muito superior e claro, de procedência responsável. Tudo isso é refletido no valor do produto final.

Contar uma história ao público, portanto, é fundamental para que o consumidor entenda que apesar de parecerem a mesma coisa, uma blusa de R$ 200,00 e uma de R$ 40,00, são sim bem diferentes.  Inúmeras pesquisas comprovaram que os millennials não se importam com o nome estampado na etiqueta e dão preferência a marcas que sejam compatíveis com seu estilo e identidade. Por esta razão, o consumidor contemporâneo, reconhecidamente mais consciente acerca dos produtos que consome, prefere investir em artigos  que narram uma história. Melhor ainda se essa história envolve uma produção ética e coletiva: Quem fez? Como fez? De onde vieram os materiais utilizados? Em que condições a peça foi produzida?

Por fim, outro forte argumento é: consuma menos e melhor. Pegando novamente o exemplo das blusas utilizados acima, será que estamos realmente pagando caro em um produto que custa R$ 200,00? Se analisarmos a vida útil da peça, a resposta é não. De que adianta pagar R$ 40,00 em uma blusa que provavelmente precisará ser descartada e substituída pouco tempo depois? Nesses casos, muitas vezes o barato sai caro, literalmente.

Ao final dessa reflexão, se unirmos todos esses elementos, fica mais fácil convencer e ser convencido de que o preço estampado na etiqueta de uma roupa ética envolve muito mais que o mero valor de marca, além de desconstruir a ideia do que é uma roupa barata.

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