Por Bruna Bauer

Houve um tempo em que a busca por uma aparente juventude eterna tomava conta das tendências estéticas mundo afora. Nada de cabelos brancos ou rugas aparentes… Ao mesmo tempo em que, no âmbito da moda, closets de mulheres acima dos 60 anos não permitiam a entrada de uma série de peças, cores e combinações. Mas a atitude e o estilo de gente como Iris Apfel, Linda Rodin, Joan Didion, Joni Mitchell e Daphne Self – sem esquecer, claro, da nossa diva Costanza Pascolato não param de indicar outros caminhos…

Além de a expectativa de vida ter aumentado bastante nos últimos tempos, a moda tem, sim dado mais abertura à diversidade e às milhares de possibilidades de negócios e engajamento de microsegmentos do setor. A experiência de mulheres que sempre respiraram moda e que não abrem mão de se expressar através do que vestem somada à busca por um sentimento de bem-estar próprio e pouco preocupado com o que os outros vão falar, alimentam essa busca por autenticidade, criatividade e estilo.

Não à toa, surgiu, em 2015, uma movimentação publicitária em torno dessas mulheres estilosas e mais maduras, que vivem uma genuína relação com a moda. Quando mulheres na casa dos 80 anos começaram a ganhar espaço nas campanhas de marcas como Céline, YSL e Dolce & Gabbanna, a ideia de que envelhecer não é um castigo e que tem, sim, uma boa dose de charme e estilo, se consagrou.

Em 2016, a YSL deu continuidade à presença de mulheres bem mais maduras em suas campanhas convidando Jane Birkin – uma das mais aclamadas musas fashion de todos os tempos – para estrelar a série de anúncios “Le Smoking”, que celebra a inclusão do terno nos closets femininos depois de um desfile da grife em 1966.

A Gucci também aderiu e, para sua campanha de Verão 2017, convidou a atriz Vanessa Redgrave, de 79 anos, para um shooting que deu o que falar nas redes sociais.

E as apostas em mulheres acima de 60 anos não ficaram restritas apenas às grifes de luxo. A rede de fast fashion H&M também se rendeu ao charme e poder das idosas em uma campanha de moda estrelada por Gillean McLeod.

E a Macy´s também seguiu a mesma linha, convocando a diva Iris Apfel para uma coleção mais que especial e irreverente que conta, inclusive, com uma série de emojis e citações superdivertidos.

Claro que o fator surpresa do público e a mídia gerada espontaneamente diante da “ousadia” de apostar em mulheres reais e idosas como garotas propaganda é um dos grandes atrativos para as marcas que têm investido nas modelos idosas. Veículos especializados em moda (e em outros segmentos também) dificilmente resistem em noticiar essas campanhas. Resultado? Mais visibilidade e engajamento ainda!

A iniciativa, em tempos de tempestades constantes de informações nas mídias sociais 24 horas por dia leva, sim, a uma repercussão positiva. Especialmente, hoje, quando a busca por uma moda mais inclusiva e que de fato contemple a diversidade tem se tornado cada vez mais essencial nos story tellings.

Vale lembrar que as mulheres mais velhas também são consumidoras, que buscam por novidades para seus closets e que vivem rotinas ativas, repletas de atividades sociais. E que muitas delas são donas de invejáveis acervos de moda. Quem nunca visitou o closet de uma avó ou tia em busca de novas velhas peças, que atire a primeira pedra. Quem nunca se encantou por uma peça na arara de um brechó bacana idem.

Entender que a moda também pode ser divertida e que essa nossa conversa não é só sobre estilo, mas sobre a vida em si (afinal de contas, basta estar vivo para envelhecer!) é o ponto-chave da questão. Ter estilo nada tem a ver com parecer mais jovem. Ter estilo está 100% relacionado a ter atitude. E atitude não é algo que se restringe com a idade.

Vender moda é vender sonhos, desejos e histórias com base no comportamento e no lifestyle dos consumidores. Se seus consumidores estão vivendo mais e melhor, vale considerar essa questão. Se suas clientes estão cansadas de seguir regras e deixando de investir em procedimentos de beleza como cirurgias plásticas, tintura de cabelo e botox – eis aqui um espaço para apresentar a elas produtos que elas vão amar usar de modos mil.

NOTAS DA EDITORA

Gosto sempre de lembrar do ritual diário de maquiagem de Costanza Pascolato. Ela não abre mão de seu delineador marcante (mesmo que tenha que levar um bom tempo na frente do espelho para alcançar o resultado desejado). Adoro quando vejo fotos dela no street style aliando o tênis mais cool do momento a peças de alfaiataria de primeira linha. E fico ainda mais encantada quando ela faz poses rock´n´roll e indica músicas supermodernas para as playlists fashionistas.

Para terminar essa ode às novas-velhas divas da moda que fizemos nesta matéria, deixamos você com o trailler do filme de Iris Apfel.

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